Qual o sentido?
Essa frase do Rubem para mim foi fundamental, ela acabou por me ajudar a pensar sobre a frase de Agostinho. E se nós criamos formas, moldes para o nosso amor? Faz sentido, pois, se nossas almas são bibliotecas, elas têm as suas estórias nas estantes que com o tempo foram sendo guardadas, tendo elas, lá no seu fundo, o que pode despertar em mim o amor, aquilo que vou encontrar no outro, o outro que irá se encaixar justamente nas estórias que guardamos, o outro que virá completar as páginas dos livros que guardamos em nossas almas, que fará talvez de um pequeno conto, uma epopéia digna de fazer inveja a Afrodite.
A idéia de criarmos moldes parece ainda fazer mais sentido, quando aparecem pessoas que são especiais em nossa vida. Quantas vezes surgem pessoas que se olharmos utilizando somente a razão iria se encaixar dentro do perfil que parece ser adequado a nós. Tipo aquelas que nos fazem perguntar o que mais podemos querer? No entanto, sentimento não é coisas assim digamos racional, não são equações matemáticas, não dá pra resolver de qualquer forma.
Não seria bem mais fácil se ao encontrarmos uma pessoa, e que ao ver nela características que eu considerasse importante para a vida eu assim conseguisse ama - lá, mas “podemos prometer ações, mas não podemos prometer sentimentos”. Porque com o coração as coisas não funcionam dessa forma, ele é tirano, é ele quem escolhe quem ele vai amar, e nesse momento nada de razão, não é ela quem opta por alguém, é coisa que não sabemos explicar, a biblioteca que criamos – e que não faço a mínima idéia de que isso possa ser verdadeiro ou não, são apenas divagações – acaba por fazer a opção. Será essa a causa do amor a primeira vista? Será que é esta uma das explicações?
Apesar de tudo. De não saber o porquê do que amo, e nem como crio essa tal da biblioteca, percebo o quanto isso é mágico. É verdade que seria bem mais fácil se conseguíssemos amar aquela pessoa que está de acordo com nossos valores, nosso jeito de pensar, mas às vezes não, às vezes escolhemos aquele outro que é outro, outro mesmo, completamente diferente. Poderia ser mais fácil, mas talvez ao mesmo tempo fosse menos mágico. Se somos mesmo bibliotecas, somos de sonhos, nada de moldes toscos arquitetados pela frieza da razão, mas construída por sonhos, “castelos no ar” que quando encontramos o outro que se encaixa em nosso molde, este vai dar alicerces ao castelo. Sonhos que se constroem e se reconstroem com o tempo, e assim vamos vivendo nossas estórias de amor que tomam forma através de braços, abraços, gestos, moldes quentes criados por nossos gestos, nossos toques. Sonhos. Sonhos de amor, de felicidade. “Se você já construiu castelos no ar não tenha vergonha deles, estão onde devem estar, agora trate de dar alicerces”.
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